O verdadeiro significado da ansiedade social

Dizem que a ansiedade é o mal do nosso tempo e muitas pessoas sofrem cada vez mais com transtornos de ansiedade.  O que era para ser uma manifestação natural do corpo, de acionar o mecanismo de luta e fuga para situações de risco, acaba se intensificando no nosso dia-a-dia, atingindo níveis fora do controle e desesperadores para quem os sente. A ansiedade acaba virando até uma disfunção e um impeditivo de qualidade de vida, e cada vez mais são buscados e oferecidos tratamentos. Os sintomas do ‘doente’ são amenizados e a pessoa consegue continuar vivendo, o que é muito bom e um avanço da ciência, de cada vez mais oferecer opções modernas de tratamento. Mas a crise continua congênita.

Vivemos em uma sociedade ansiosa. COMPRE, ADQUIRA, JÁ, AGORA, NÃO PERCA A CHANCE, CONQUISTE, PRAZO, OPORTUNIDADE ÚNICA, GARANTIA DE SUCESSO, PROMOÇÃO, PARA ONTEM… são palavras tão comuns que não nos damos conta de sua agressividade.  Em pequenas manifestações corriqueiras, como nesse simples exemplo, já é possível perceber uma parcela da ansiedade socialmente cultivada.

E este é um exemplo explícito, mas há muitas formas veladas. O incrível acesso à informação que temos hoje é nosso grande triunfo, mas por outro lado, um grande problema. É uma via de mão dupla porque a sociedade promove esse sentimento, mas nós também o alimentamos – acabamos incentivando sem querer: de repente, estamos mergulhados na ansiedade da sociedade. Recebemos a informação e também a alimentamos. Recebemos a ansiedade e também a alimentamos.

O mercado de trabalho causa (totalmente) ansiedade. O sucesso profissional causa ansiedade. A mídia causa ansiedade. Ganhar dinheiro causa ansiedade. As redes sociais causam ansiedade. A simples vida do outro causa ansiedade. Porque tudo vira uma ânsia! Ânsia de conseguir, de mostrar, de compartilhar, de ter, de fazer. Gera-se uma ânsia para se saber de tudo e mostrar tudo. Às vezes passa-se a impressão de se fazer muito e sentir pouco. Somos estimulados a agir mais do que a sentir, mais à ação do que a ter o próprio tempo, ou sentir as experiências.

Há cobrança da sociedade, mas também nos cobramos, mergulhados nessa realidade tida como única. Aí sucumbimos. Sucumbimos quando a pressão se volta para nós mesmos. Mas podemos desviar a pressão para o exterior, projetando a ansiedade em cima dos outros e criando ambientes ansiosos. E assim, tudo se perpetua. Ou seja, somos vítimas, ou perpetuadores. Será que conseguiremos ser agentes da mudança?

Não sei a solução para esse problema. Talvez (ou com certeza) por isso técnicas de meditação e autocontrole estejam cada vez mais comuns, como yoga, mindfullness, terapias… resta saber até que ponto cada pessoa contagiada com tranquilidade conseguirá resistir a uma sociedade ansiosa, ou mudá-la… e até que ponto essas técnicas conseguirão apresentar saídas, ou se tornarem a realidade. O verdadeiro significado da ansiedade social – que é considerada um distúrbio – é que a sociedade é ansiosa.

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Compromisso verdadeiro

Nosso compromisso mais importante é conosco mesmos, em primeiro lugar. Pode parecer egoísta, e é claro que temos que nos importar com os outros e ter consciência da alteridade, para que seja possível viver em sociedade. Mas quando não nos respeitamos, nem nos tratamos como prioridade, perdemos a consciência da importância do respeito ao próximo. Ou trata-se todo mundo mal porque se perde a noção de como é bom e importante ser bem tratado. Ou trata-se os outros muito bem, mas sente-se constantemente invadido nos seus limites, ou nunca tendo o amor que merece, porque deposita-se nos outros uma responsabilidade que é de nós mesmos. Ou seja, é preciso nos tratar bem primeiro para realmente tratar bem os outros. Isso não é tanta novidade, mas tenho pensado sobre isso, e faz sentido…

Vida de casal alheia

Segue mais uma da série: “não estou bisbilhotando a vida alheia, é ela que vem até mim.”

Ontem, o moço do casal no banco da minha frente do ônibus queria ser síndico; a moça ficou brava, daí de algum jeito apareceu na conversa a mãe dele fazendo o inferno na vida deles e a moça deu o maior gelo, até o final presenciado por mim. Sem que eles percebessem ou façam a menor ideia de que tinham uma plateia.

Hoje, no elevador do trabalho, a moça explicando pelo celular a importância do mor arranjar alguma aliança tamanho 21 para experimentar antes que ela comprasse, para não errar o número e ter que trocar depois, e pra ele ir lá pedir emprestado pra algum amigo dele. E falou (algumas repetidas vezes) que estava falando sério, e era pra AGORA. E saiu convencendo o mor até o que ouvi.

Não peguei o desfecho das discussões; para uma delas, pode ter sido: “vá logo morar com a sua mãe, essa sogra chata sem noção”; ou, “deixe-me ser síndico e feliz”, “isso sempre foi meu sonho, mas nunca ganhei nem pra representante de classe, e o próximo passo será vereador”. Já imagino na terapia de casal, o moço: “ela não me deixava seguir meus sonhos” e a moça: “ele sempre teve uma vontade de controle disfarçada”. E um possível desfecho para a segunda situação: “vou é pegar a aliança e enfiar…. quero dizer, empenhar e pegar o dinheiro!”.

Não sei o que significa ter ouvido duas DRs alheias seguidas assim, talvez o universo e suas forças cósmicas queiram me mostrar que a vida de casal pode ser muito divertida e emocionante. #masnemtanto

Ano Novo

A Terra gira em um ciclo que não tem marco inicial, ou seja, nós humanos que criamos essa perspectiva de uma volta completa ser ano novo – é claro que não há nenhuma linha de chegada na órbita terrestre. Apesar disso, esse é um marco que reúne muitas pessoas e suas energias em comemoração, desejos e aspirações. É período de reflexão sobre esse “tal tempo humano de um ano”, e motivação para prosseguir.
Metas simples e modestas:
– Apesar das adversidades, assumir o ponto de vista de que me torno uma pessoa melhor a cada dia: hoje posso ser melhor do que fui ontem, e amanhã serei melhor do que hoje.
– Entender que o mundo e os outros podem oferecer importantes conselhos, mas as respostas estão dentro de mim.
– Ter determinação e energia para perseguir sonhos, transformar ideias em realidade e conseguir fazer cada vez mais.
– Não esquecer de que enquanto há vida há oportunidade. E de que todo dia é dia para divar  ;-).
– Dominar o mundo. (brinks)

Sorte no jogo, azar no amor – só que ao contrário, de trás pra frente ou de ponta-a-cabeça

Estava pesquisando a origem da expressão: “sorte no jogo, azar no amor”. E a internet que tem de tudo não tem muita coisa sobre isso – existem mais reflexões sobre o significado da frase do que sua origem, de que contexto surgiu.

O que encontrei de mais interessante a respeito (neste texto) foi que “sorte” vem do latim sors. Seu significado era simplesmente o que cabia a cada um – algo mais parecido com “destino inesperado”, sem estar implícito algo positivo ou negativo. Desta forma, poderia existir a “boa sorte” e a “má sorte”.

“Azar” vem do árabe sahr, “flor”, que era um símbolo no jogo de dados – não sei se algo negativo, ou ligado ao inesperado, como quando jogamos um dado. Em espanhol o significado de azar seria o “acaso” – até parecido com a conotação árabe de “sorte”.

Assim, a frase mostra uma oposição, mas na verdade, esses dois opostos – amor e jogo – podem ser parecidos no que indicam situações inesperadas e fora do controle?

Sorte no jogo, azar no amor: se “o jogo” da frase no qual se tem “sorte” representar o material, pode remeter não apenas às “cartas e aos dados”, mas também a trabalho, por exemplo, meios diversos pelos quais conseguimos riqueza material. Nesse campo podem contar também: esforço, estudo, visão empreendedora, trabalhar com o que se acredita, seguir um propósito. Ou seja, até dá pra inverter o jogo com nossas próprias habilidades.

E tudo isso é menos cabuloso do que ter algum controle sobre o “amor”…

Já tive aqueles sintomas que dizem aparecer quando gostamos de alguém. Sobre isso,  já ouvi o seguinte:

– Se joga, batalha, vai atrás.

Mas isso adianta muito se não houver também algum sinal de interesse que parta da outra pessoa?

Também já passei por situações em que não correspondi ao sentimento de outros. Sobre isso, também já ouvi:

– Poxa, dá uma chance, se você não tentar, não vai saber. O amor é construção, de repente, o que você sente pode mudar.

Há um argumento fatal para esse negócio de “amor é construção”: se fosse, casamentos arranjados dariam certo.

Enfim, conclusão? Se der “azar no jogo e azar no amor” – no jogo a gente ainda pode conseguir mudar o quadro, agora, no amor? Mistério.

Porém, se há azar nos dois, também pode haver sorte nos dois. Ou o oposto – azar no jogo e sorte no amor. Ou sorte no jogo – tá bom já sabemos o resto.

Só que inverter as possibilidades da frase original tira um sentido fundamental: acho que ela quer dizer, principalmente, que “você nunca pode ter tudo” – o equilíbrio das coisas. Alguém é bom nisso, o outro naquilo. O que resta então é nos confortarmos com o que é possível e nunca perfeito.

Eliminar do nosso entendimento a justiça do “um pra um” pode passar a ideia de uma realidade caótica e aleatória, sem um equilíbrio.

Para quem não tem sorte nos dois – jogo e amor – é melhor pensar que todo mundo tem só um e acabou. Ou que pelo menos ter um deles é possível.

Ou, para os ambiciosos, seja melhor pensar que todas as combinações são possíveis para se conseguir tudo….

Ou, para os equilibrados, pensar que todos nós podemos passar por todas as combinações.


Encontrei a seguinte reportagem – pelos comentários parece que nem todo mundo ficou satisfeito com sua utilidade. Devo admitir que realmente parece um “nó filosófico” – o raciocínio dá tantas voltas que até parece piada. Porém pode até ser reconfortante: quem se sente azarado tem sorte, mas no azar. São sortudos para as coisas darem errado 😀 (isso era pra animar?).

Heim? Notícia aqui.

Quantidade é qualidade?

Esses dias participei de uma conversa em que o assunto caiu em: “Tinder”.

Já ouvi pontos de vista negativos e positivos a respeito de aplicativos de relacionamento/ encontro – inclusive, também já oscilei entre eles, abrindo uma conta e depois de um tempo cancelando, abrindo e cancelando, algumas vezes  libriana indecisa.  No momento, tenho um ponto de vista positivo a respeito – para quem consegue fazer bom uso do aplicativo, encontra alguém legal e o relacionamento até dá certo. Porém, meu ponto de vista é negativo sobre sua funcionalidade para a minha pessoa – ou seja: para mim não rola. porque agora só jogo Pokémon Go

Analisar os perfis dos participantes no Tinder pode até ser divertido: ver a tentativa das pessoas se definirem em poucas linhas, ou em discursos extensos, torcer pra “dar match” e até uma conversa surgir. E quando dá match então, é até motivo de comemoração. Quase igual fazer ponto em um jogo. ou capturar um pokémon

Mesmo isso já tendo acontecido comigo, sempre acabei perdendo a vontade de prolongar o assunto e nenhum match deu muito resultado, ou virou algum encontro real. Tenho a sensação de que estou forçando uma situação, como se para qualquer pessoa atraente que aparecesse eu começasse a conversar, do nada. Claro que isso pode acontecer em qualquer lugar. Mas o encontro de verdade é diferente. Ele acontece naturalmente, de forma espontânea. Essa característica, na minha opinião, faz o relacionamento ter mais graça. Quando não acontece e é tudo virtualmente planejado parece que se tira uma parte fundamental do processo.

Há os lados positivos e negativos do uso de aplicativos de encontro, há os defensores de um posicionamento ou de outro, e há as pessoas que oscilam entre os dois, como eu. quando as amiga tá tudo acompanhada a gente começa a reconsiderar

PORÉM, as pessoas tudo usam esses aplicativos, namoram e até casam! Então dá certo, e ponto.

Mas talvez “dar certo” envolva mais do que “dar match”. Não tem jeito, eu ainda prezo pela química e pelo inesperado. E na nossa geração da velocidade e do consumo, podemos acabar pulando etapas importantes do processo de conhecer e se envolver com o outro, caindo no risco de transformar os relacionamentos em número e de ter tudo muito rápido.

E assim (finalmente!) vem a questão: quantidade é qualidade (?), que foi justamente colocada por uma pessoa que usa o Tinder e já teve vários encontros por meio dele. No ponto de vista dessa pessoa, quantidade é sim qualidade, ou seja: sair com várias pessoas – quantidade – para no final ter experiência, e saber o que se espera de qualidade.

De fato, há casos que já “deram certo” por aplicativos. Mas também sem eles… outros que aconteceram de primeira, ou de segunda, ou de terceira, que seja, sem a pessoa precisar passar por uma lista de crushes. E às vezes, passa-se por uma lista, e de nada adianta para encontrar “aquela pessoa”, ou para melhorar o senso de qualidade. Há relacionamentos que ainda acontecem do inesperado. Destino? – foi também colocado na conversa, o que provocou uma careta na pessoa da roda de conversa que usava o Tinder.

“Ser para casar” e “sexo no primeiro encontro” – tudo a ver ou nada a ver?

Esses dias vi no Facebook o compartilhamento de um artigo, que saiu no site “Papo de Homem”, sobre o preconceito que ainda existe na sociedade para mulheres que topariam sexo no 1º encontro. O texto tentou desmistificar esse preconceito para o público leitor masculinho.

A pessoa que conheço compartilhou o texto no Facebook mais por indignação sobre esse tipo de preconceito ainda existir, considerando o direito de todos à sexualidade como algo que já devia ser óbvio.

O artigo é interessante por combater um preconceito de gênero. Mas acho que acabou saindo de um preconceito e caindo em outro. O autor valoriza as mulheres que topariam esse tipo de experiência como “aventureiras” ou “autênticas”, combativas ao que a sociedade espera delas, dizendo que estas sim, seriam “pra casar”. Tá bom que “ser pra casar” não é muito elogio pra ninguém, mas nisso, julgamentos acabaram ficando implícitos sobre as mulheres que não querem transar de primeira, como se estas fossem as “recatadas”, ou “não aventureiras”.

Enquanto há pessoas que conseguem separar “sexo” de “sentimento”, ou seja, buscar uma relação apenas para suprir desejos carnais momentâneos, não acho que seja “errado” ainda existirem também outras pessoas que considerem o sexo algo íntimo e importante demais para ser compartilhado com qualquer pessoa, ou de 1ª.

Autenticidade, ou outra imposição disfarçada? – ser “aventureiro” ou “descolado”. A igualdade de respeito entre gêneros é uma coisa, mas a questão de como o sexo está sendo tratado é outra. Ter sexo quando se quer, se assemelha para mim como uma pizza delivery, ou um disque necessidade, representações de nossa sociedade consumista e das emoções breves. Positivo, sim, negativo: nada mais perdura, ou é conquistado, batalhado, cultivado, mantido. As relações estão sendo atropeladas pelo desejo breve.

Não quero parecer uma religiosa conservadora falando. Na verdade, acredito que nada pode ser uma regra, pois cada situação é inédita. Por exemplo, sexo no 1º encontro deve depender de muitos fatores, não só “quebrar preconceitos” ou “ser aventureiro”, mas do desejo que se sentiu por aquela pessoa, do risco a se correr, do interesse pelo outro, do significado que aquilo terá depois (se terá algum)…. ou seja: é preciso estar ligado consigo mesmo em cada situação, independente de uma regra ou imposição pré-estabelecida, e fazer aquilo que se almeja para si próprio! E isso vale para homens e mulheres, igualmente. Sem esquecer que há um “outro” envolvido, com toda sua individualidade também…

Não são todas as pessoas que são desencanadas e acham que sexo é fácil e consegue-se rápido, alguns ainda são tímidos, ou mais envergonhados, ou mais fechados, mais caseiros, mais sonhadores, sei lá! Assim: a mulher não é “puta” se ela quer sexo no 1º encontro, e ponto final. Mas não é por isso que todo mundo precisa sair transando por aí. Por isso acho que são dois assuntos diferentes, apesar de se misturarem.

Portanto… A moral da história não deveria ser que cada um deve agir do jeito que mais se sinta confortável, sem precisar se sentir envergonhado, ou julgado por isso?

Artigo:

http://papodehomem.com.br/mulher-que-da-na-primeira-noite-essa-e-pra-casar/