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Manifestos: nossos atos também influenciarão o país que queremos

Esses manifestos em massa no Brasil mostram que todos estamos indignados quanto a situação de nosso país, e sabemos que poderia melhorar: principalmente se o dinheiro destinado a isso não fosse gasto injustamente, desviado, ou corrompido.

Mas os políticos continuam priorizando os próprios bolsos, porque o povo nunca mostrou reação quanto a isso. Sim, sempre houve movimentos populares, ok. Defesa das minorias étnicas, ok. Marcha das vadias, ok. Marcha da maconha, ok. Juventude do PSTU, ok. Unidos das sarjetas, ok. Sindicato dos padeiros, ok. Mas e um posicionamento claro quanto a péssima e egoísta gestão dos políticos?

“Olha, dizer isso assim é muito vago, sem foco, parece que tá manifestando pra nada, esse povo aí.” Então tudo bem, seguem alguns exemplos mais específicos sobre o que estou querendo dizer:

Salários (em média):

– Professor no Maranhão = R$ 854,00 = mês  (40 horas de trabalho por semana)

– Político (em média) = R$ 26 000,00 = mês. (Quando fui procurar o expediente de um político, não encontrei. Há suspeitas que sejam 10 horas semanais.)

– Professor no Maranhão = trabalhar 2 anos e meio para ganhar o que um político ganha em um mês. Se o político trabalhasse 40 horas por semana – mas trabalha menos.

– Deputados federais de cada estado do Brasil = R$ 13 338 000, 00 (13 milhões) = mês (gasto de todos ao mês, tirando benefícios)

Só os deputados. Ainda há senadores. Prefeitos. Governadores. Seus vices. Etc.

Gasto de todos Deputados federais de cada estado do Brasil por ano (sem considerar extras) = R$160 056 000, 00 (160 milhões) = ano

E um professor do Maranhão ganha R$ 10 368, 00 reais. Em um ano.

Se tudo isso fosse evitado, não sairíamos todos ganhando? Negros, brancos, amarelos, idosos, crianças, engenheiros, escritores, cientistas, prostitutas, gigolôs, artistas, carpinteiros, etc? Até os skin heads. Não haveria tanto motivo para revolta. Claro que cada um desses grupos tem necessidades específicas. Mas não é possível que muitos não consigam perceber as nossas necessidades em comum, que primeiro, satisfariam, senão a todos, muita gente – pra depois cada um clamar por seus interesses próprios?

Por isso tantas pessoas aderiram aos protestos recentes, porque se centraram em um interesse geral: o transporte público. Aumentou de preço e teremos que pagar. E ainda por cima é ruim. Ainda por cima tem um gasto que poderia ser melhor utilizado. E isso mostra a má gestão dos recursos públicos. E isso melhoraria muito sem políticos corruptos. Logo é este o problema = políticos corruptos. Sou tão simplista assim pra pensar que tudo deriva disso, e que seria um bom motivo pra “unificarmos” o que dizem estar “fora de foco”?

É claro que o Brasil também tem um contexto histórico: temos uma determinada quantia sobre nossos rendimentos internos, como exportação, importação, inflação, negócios. E essa nossa renda não é tão alta quanto os países “desenvolvidos”, por isso, podemos administrar o país e propor melhorias apenas dentro de nossos rendimentos. Mas o Brasil tem um potencial enorme pra que essa verba aumente. E para que isso aumente, o que seria preciso? Investimentos. E quem pode fazê-los de forma bem gerida? Acho que não preciso dizer.

Se estamos manifestando, significa que finalmente nos sentimos “unidos por uma causa”, e é a prova que os problemas levantados incomodam a todos nós. Lojistas, assalariados, faxineiras, capitalistas, comunistas e apartidários – porque somos o povo. Então pra quê um lado incidir contra o outro, para começarmos a brigar entre nós?

Se estamos manifestando, significa que almejamos por um país melhor para todos. E isso é uma boa intenção. Apesar disso soar excessivamente meigo, por baixo de todos os tipos, de fato temos uma intenção justa. É uma pena que esses manifestos movidos por uma “boa intenção” estejam derivando para violência, rixas entre grupos, brigas internas. É uma pena também que se juntem a isso pessoas que necessitem se expressar por socos e chutes. Será que são pessoas que não sabem usar sua voz?

Reforço: há quem está lá não para brigar, bater, ir contra um partido ou outro. As pessoas pacifistas também estão revoltadas com a situação do país. Quem é comunista também. Apartidário também. Alguns políticos do PT. Outros do PSDB. Outros do Psol. Estamos nos manifestando pros corruptos pararem de deitar e rolar sobre nós. E isso pode nos levar longe.

Daí chega o povo que quer xingar, quebrar, criar rixa, brigar com os de partido, provocar os sem partido. Metade das pessoas empenhadas de verdade, vão embora. Começam a bater nos comunistas. Estes também vão embora. Sobra quem fica se batendo mutuamente. Chega a polícia. Todo mundo se machuca. E fim, acabou o protesto.

Essa é a consequência de usar punhos e não o cérebro. Se você entendeu que por “usar o cérebro” = ficar em casa pensando; manifestação = uso dos punhos = REVEJA SEUS CONCEITOS URGENTE. Você pode estar dentre o grupo que não percebe que está na frente dos primatas na cadeia evolutiva.

Quebrar patrimônio público é burrice profunda: é igual rasgar dinheiro – aquilo foi construído com o que você pagou, é pra você e pra todo mundo. Quebrar a cara dos outros é inútil: não muda nada. Melhor descarregar a raiva pendurando um saco de areia no seu teto. Ou fazer Muay Thai.

Essa é a hora de usar o cérebro mais do que nunca. Pois os mecanismos que querem nos condicionar a pensar de vários jeitos já estão usando seus cérebros. É pra matar os políticos? NÃO! Dentre eles ainda podem ter os honestos: você vai lá e mata bem os honestos, e aí? O movimento é pra mostrar a PRESSÃO POPULAR e pra que vejam que não somos otários, e estamos CONSCIENTES sobre a vigaristagem do estado – quando brigamos, mostramos que agimos como PRIMATAS INCONSCIENTES.  E os caras que deitam e rolam em cima de nosso dinheiro, sim, esses merecem serviços públicos tipo limpa-fossa.

Ser partidário ou apartidário é tão importante assim, mais que uma melhor gestão do país, para uma passeata inteira se transformar em um monte de vaias, xingamentos e opressões sem sentido? Significa tanto assim se uma pessoa está com uma bandeira verde, azul, branca, vermelha, rosa ou nenhuma? E se ela não está, você vai achar que ela é abominável por não concordar com a grandiosidade do “vermelho”, por exemplo?

Talvez não tenhamos direito ainda à uma melhor condição social, por nos determos nessas coisas tão pequenas. Ainda somos mesquinhos e vaidosos demais. É essa mensagem que os protestos bagunçados passam. Todo mundo se decepciona. Se machuca. E pronto, acabou a manifestação e não os 26 mil.

Fontes:

Piso salarial dos professores

http://www.terra.com.br/noticias/educacao/infograficos/salarios-professores/

Cargos políticos no Brasil

http://www.fatoexpresso.com.br/portal/?p=132

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