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Não, você não vai ficar com a cara da modelo da embalagem

O comércio nos bombardeia todos os dias com milhares de produtos através da publicidade. Isso já sabemos. Mas mesmo sabendo, ainda somos bastante influenciados, e compramos produtos e ideias vinculadas nos anúncios, como um brinde extra. E isso também sabemos. Claro, não estou dizendo nenhuma novidade até então, além do que só existe vendedor, porque há comprador, claro. E isso tudo é muito bem aproveitado. Não sei se igualmente por ambos os lados, vendedor e comprador.

Enfim, dentre tudo isso que nos é oferecido, há a indústria da beleza, com seus anúncios, imagens, ideais e padrões que acabam influenciando pelo acesso que tem a nós através das mídias – destaque para o último anúncio sobre isso que pululou no meu facebook, que dizia mais ou menos: “este alimento estranho está sendo lançado no Brasil e a Sandy perdeu vários quilos com ele” com a foto do que parecia algo como várias gemas de ovo juntas.

Dentre absurdos escancarados e outros mais escondidos, algo me chama a atenção.

Enquanto almoçava num restaurante um dia desses, vi uma moça, sentada de costas pra mim, de forma que só via seu cabelo, que era tingido. Não sei se inteiro, mas nas pontas era pintado de loiro, aquela moda das mechas californianas, eu acho. É incrível a velocidade com que essa moda das mechas loiras nas pontas do cabelo se propagou. Não sei nem quem começou com isso.

Independente de quem foi, sempre me chama a atenção a quantidade de pessoas – principalmente mulheres – que vejo com cabelos tingidos. É até difícil de perceber às vezes se uma pessoa tem cabelo natural ou não. Por exemplo, nem imaginava que uma prima minha tingia o cabelo, até que um dia ela mencionou que precisava pintá-lo. Até me espantei, pois achei que aquela era a cor natural. Talvez as tinturas estejam desenvolvidas ao ponto de não mais aparentar artificialidade?

Ao meu espanto, minha prima respondeu que sim, castanho era sua cor de cabelo natural. Porém ela pintava com um outro tom de castanho, porque seu cabelo natural era “castanho sem graça”.

Não, a questão aqui não será uma técnica de como descobrir sem perguntar se o cabelo de alguém é natural ou não. Nem a indicação de quais tinturas mais tecnológicas e avançadas para esconder sua cor natural ao máximo possível.

A questão é que as pessoas exageram, ao ponto de pintar o cabelo de uma cor que elas já tinham antes. Então elas devem pintar só se for de uma cor bem diferente? É a nova tendência?

NÃO! Pessoas que estão cada semana com um tom de cabelo diferente também me assustam, e muitas começam numa idade bem precoce. Talvez isso aconteça pelo acesso ao produto: tintura de cabelo vende igual banana. Pelo menos parece, com a quantidade de pessoas que conheço que tingem os cabelos. Ou, pior, talvez isso aconteça por um problema mais sério: a falta de valorização pelo que as pessoas têm de natural nelas mesmas.

O que seria, ó céus, um “castanho sem graça”???? E para quê tanta graça no cabelo que tem como função principal proteger a cabeça?

Tudo bem, tudo bem, todos nós nos preocupamos com a estética, não há como ser tão discrepante de todos, pois vivemos em um coletivo, e há questões culturais para todos, e enfim, procurar o que é belo pode ser até saudável. Ok, mas que cor de cabelo tem graça, azul, rosa, verde, roxo? Cores impossíveis, pois só isso parece ter graça para alguns. Ou as cores dos cabelos brilhantes, sedosos, das modelos nas propagandas de tinturas e shampoos na tevê? Ou as perfeitas cores de cabelo das belas modelos nas capas das embalagens. O que é também impossível no mundo real fora da propaganda.

A quantidade de cabelos tingidos pode ser uma combinação de acesso fácil ao produto + assédio da publicidade + ideologia do “cabelo legal”. As atrizes de Hollywood cada vez aparecem com um cabelo diferente, mas o caos que há por baixo das raízes e a destruição causada por alterar o cabelo excessivamente não é assim tão explícito quanto seus “belos cabelos”, e nem o dinheiro gasto para reparar isso.

Agora vermelho escuro, agora vermelho mais claro, agora meio caju, agora laranja, agora com mechas loiras, agora preto, agora castanho mel 50% acobreado com toques de lavanda, OMG! Por que essa volúpia de ver a própria cara com tantas cores diferentes de cabelo? Se a curiosidade é tanta, não bastaria um aplicativo que fizesse isso e pronto?

Realmente, eu não entendo. Ou, algumas pessoas que não entendem que elas tem a cara que tem independente do cabelo. Tudo bem, a estética pode ser saudável. As mulheres parecem valorizar bastante o cabelo, acho que posso dizer, que pelo menos a maioria é assim, pois influencia na aparência, deixa o rosto mais bonito, etc e tal e sei lá mais o quê. Pode ser uma vaidade natural e não destrutiva. Eu só não entendo por que essa vaidade não pode ser expressada e utilizada dentro das características naturais de cada um. Que se tenha cuidados, procure-se a beleza, mas dentro de seus limites e a seu modo de ser. Sem danificar o que se tem como natural e saudável.

O que vai em uma tintura de cabelo:

http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-03-27/anvisa-autoriza-uso-de-acetato-de-chumbo-06-em-tintura-de-cabelo

Infelizmente, no Brasil há o uso de substâncias proibidas em outros países, como o acetato de chumbo, que pode causar reação molecular e até câncer, mas as empresas defendem seu baixo custo e poder tingidor, ou alisante, desse elemento e dentre outros.

Pra que ser saudável se pode-se ser bonita, não é mesmo? Se pintar o cabelo é tão bonito. Ou dizem que é. E o perigo das substâncias depende da interação, do meio, e até por pesquisas parece não mostrar efeito. Pois é, talvez as consequências se mostrem só a longo prazo mesmo, pois a geração “produtos pra tudo” é um fenômeno atual.

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