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Povo legal, mas uma bagunça geral

Acessando o Facebook, me deparei com uma notícia com alguns compartilhamentos, e algumas reações chocadas: “Revista francesa resume o Brasil em todos os sentidos“.  Pelo que pareceu, os franceses deram uma baixada na nossa moral, mesmo que ela já não seja lá essas coisas, com tópicos do tipo “o brasileiro liga mais pra futebol do que política”,  “O Brasil precisa importar médicos de Cuba, já que não tem competência para formar médicos no próprio país”,  “A Presidente Brasileira parece estar alienada da realidade”, dentre outros.

Dei uma passada rápida, mas não tive paciência para ler tudo. Por não suportar ver as falhas do meu país descritas? Por não me conformar que estrangeiros possam fazer esses comentários? Por meu coração patriota não aguentar? Não, porque tudo isso não me é nenhuma novidade.  Sinceramente, não entendi as reações chocadas sobre a notícia. Os franceses só perceberam e pararam para escrever uma coisa óbvia – que não parece ser tão óbvia assim para os próprios brasileiros pelas reações impressionadas. Convivemos com os problemas diariamente e quando expostos a nós com ironia e crítica por meio de um texto, ficamos chocados. Será que isso acontece pelo tanto que estamos acostumados a fingir que não estamos vendo a realidade? Acostumados aos problemas?

Não é por ter nascido aqui e vivido aqui toda minha vida que vou me deixar levar por sentimentalismos baratos do tipo “goste do país em que você está”, “ame o seu lar”, “tenha devoção pelo verde amarelo”, e perder meu senso crítico.

O fato é que concordo com os pontos exibidos nessa revista francesa. Não preciso nem ler a matéria inteira para isso. O Brasil merece ser criticado.

“Poxa, há muitas pessoas e coisas legais aqui que não mereceriam ser criticadas”. Pois é, mas infelizmente, os problemas aparecem muito mais que isso, e qual a solução? Resolvê-los, e não “amar o seu país”.

Porém, quando começo a pensar em resolver os problemas daqui, parece que me perco em um nó sem fim.

Ao mesmo tempo em que há pessoas que moram em favelas, mas tem um smartphone, há as que moram em mansões e estão mais preocupadas com suas férias de verão e seu carro novo, que  será blindado de todo o jeito, já que o roubo é sempre uma possibilidade.

Aí a favela virou um lugar legal de se morar, que tem povo e cultura próprios, de forma defendida pelos ativistas contra o preconceito, porém não seria melhor que as pessoas pudessem sair das favelas?

Aí de repente, o povo começa a manifestar sua insatisfação, um movimento que poderia até ser interessante. Porém no meio disso aparecem pessoas quebrando orelhões e agências bancárias, e etc, e aí o problema de tudo vira a Copa.

E o governo se mantém totalmente alheio, ao povo, ao transporte público, ao ensino, à saúde, poque quem ocupa o topo da pirâmide monetária não precisa se preocupar com isso. Se os políticos têm todas as suas necessidades supridas, então pra quê se preocupar? Realmente, é muito mais fácil agir assim, e permitido. E quem irá tirar o governo dessa posição confortável?

Enquanto isso, os intelectuais fazem suas próprias manifestações, citando teóricos em seus protestos, em uma mini guerrinha intelectualoide entre “esquerda” e “direita”.

Enquanto isso, mendigos nas ruas estendem suas mãos, falam sozinhos, cheiram mal, e exibem seus filhos para os transeuntes. Ao mesmo tempo funcionários saem de seu serviço de 8 horas na frente de um computador, em cima de seus saltos e dentro de seus ternos, pensando em aguentar mais xis dias de trabalho para sua próxima viagem à Disney.

Faço minhas as palavras de Caetano.

Notícia em: http://hamiltonxavier.blogspot.com.br/2014/02/revista-francesa-resume-o-brasil-em.html
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