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A escolha profissional, a universidade, o mercado e o Brasil: alternativa ‘a’ ou ‘b’.

Lembro há alguns anos atrás quando eu virava as páginas do Manual do Candidato para prestar o vestibular e me deparei com a definição do curso de Letras. E assim, fiz minha escolha, não muito segura, não muito certa, nem motivada. Mas sentia que precisava escolher alguma coisa.

Esses tantos ingressantes como eu podem ter tido as mais diversas motivações: a indecisão, a pressão, a verdadeira vocação e vontade, e alguns outros, “dar aula jamais” (fazer só o bacharelado e não a licenciatura, parte que habilita a lecionar). O ensino não é a opção de muitos que escolhem Letras, apesar do senso comum imaginar que esse seja o único caminho.

A universidade questiona o senso comum porque é um conhecimento pronto e fácil que nem sempre explica a realidade dos fatos.

Mas nesse momento parece-me que o senso comum não é um adversário tão fácil assim de combater quanto parecia. Na hora de arrumar um emprego, Letras = dar aula. E então, no momento encontro-me cursando a licenciatura, apesar de nunca ter sonhado em ser professora.

Não tenho uma visão preconceituosa e estereotipada dessa profissão, do tipo: “que horror, você quer ser professor?” – eu já ouvi isso. É algo muito digno, uma missão, que interfere no mundo e na realidade! Porém, é fato que não é reconhecida como deveria no Brasil. Mas onde há problemas é preciso buscar a solução e não conformar-se, não? Por isso, porque não ser professor?

Apesar da motivação revolucionária que a luta pela educação inspira, ainda não consigo dizer que é minha escolha.

A universidade não considera crenças pessoais como explicação para nada, porque o subjetivo não é científico.

Mas ainda acredito no “dom” da vocação, que ninguém ensina. E não sinto ter exatamente o dom para a educação. Sempre quis ser das artes visuais, e não fui.

Se eu tivesse que aconselhar alguém em fase de escolha da profissão, diria: escolha o que você quiser, e pronto. Não fui para as artes por ouvir que era uma área difícil. Optei por Letras por pensar que poderia encontrar um campo mais amplo, principalmente com revisão e tradução. E está tão difícil arranjar trabalho nisso quanto talvez fosse em artes visuais.

Eu não aguento mais mandar currículo para todo canto – já escrevi o que já fiz, o que sei fazer, o que posso fazer, e o que poderia fazer, inúmeras vezes. E nada.

A universidade se baseia nos fatos e as crenças subjetivas não explicam ciência nenhuma.

Mas ainda tenho mais uma sobre isso: acho que quanto mais repetimos alguma afirmação negativa, mais ela é reforçada e pode acontecer. Então pensei em parar de dizer que está difícil encontrar trabalho. E cá estou eu aqui escrevendo sobre isso.

Resta-me continuar em vários grupos de anúncio de vagas no Facebook, vasculhando a internet e mandando currículos.

Até que em um desses grupos do Facebook apareceu a questão: “o problema sou eu ou está difícil encontrar emprego?”, e teve umas 400 curtidas e vários comentários reclamando sobre isso.

Nos momentos “muro das lamentações” inúmeras injustiças aparecem, que podem (ou não) ter sua parcela de verdade. Eu reclamo do tanto de experiência requisitada nas vagas ultimamente. E mesmo em vagas que até acho ter alguma chance não recebo nem ligação por engano. Os concorrentes estão tão experientes e com perfis tão estonteantes? Sinceramente não me lembro de ter convivido com pessoas tão maravilhosas assim não e até meio folgadas (julgando os coleguinhas).

Também acabo culpando o preconceito à minha área, que Letras está sucateado, ninguém dá valor, e todo mundo só liga pra Engenharia. Até que encontrei um engenheiro que também disse que está difícil arranjar emprego.

Então, pode ser que esteja difícil mesmo.

Porém, aprendi nessas aulas da Licenciatura, que estamos vivendo um momento de “bônus demográfico”, ou seja, maior parte da população em idade ativa e pronta para oferecer sua força de trabalho.

Assinale a alternativa que você considera provável sobre o que vai acontecer frente a esse cenário demográfico brasileiro:

a) Momento em que muitos jovens em idade de ingressar no mercado geram força de trabalho, sendo um prato cheio para o desenvolvimento econômico do Brasil. Esses jovens inserem-se em atividades que não só estimulam o crescimento econômico do país, mas também o social, como políticas públicas, serviços e 3º setor, trazendo enriquecimento e melhorias gerais.

b) Bem nesse momento entramos em crise. Crise financeira por má administração pública, déficit comercial, PIB negativo, corrupção. Alta do dólar, recessão do mercado. E todos esses jovens que poderiam estar gerando crescimento estão aglomerados sem encontrar lugar no mercado de trabalho.

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