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Discutir ou não discutir, eis a questão

Muitas vezes as pessoas dizem coisas que eu discordo. Mas não é sempre que eu retruco, expondo meu ponto de vista contrário. Às vezes por educação, às vezes pra manter a amizade, às vezes para não ser indelicada. Às vezes porque eu acho discussão uma perda de tempo. Ou talvez eu nem saiba o porquê disso.

Pra algumas pessoas expressar a opinião é algo muito natural. Tanto, que podem até soar desrespeitosas às vezes. Mas mesmo essas pessoas conseguem ter uma socialização saudável, quero dizer, ter amigos. Já me perguntei se elas seriam mais felizes, pois mesmo sempre expressando a opinião há pessoas que as aceitam. Já me senti “guardando” opiniões, sem saber se valeria mais a pena extravasá-las logo, mesmo se houvesse consequências negativas, como perder uma amizade. Pelo menos, meus amigos saberiam minha opinião de fato e gostariam de mim por ela. (Por ela ou apesar dela?)

Para encarar esse meu jeito sem crises, procuro pensar que todos temos nosso modo próprio de ser, reagir, e encarar as coisas. O ocultamento de opinião pode não ser um defeito, mas uma preferência. E sei que não é sempre que minha opinião é oculta – para muitas coisas a mostro, para outras não, e isso depende. Às vezes acredito em coisas que podem ser polêmicas, que talvez não fossem tão fáceis de explicar em uma discussão. E muito menos resolver.

Por isso às vezes acho que discutir é inútil, não resolve o problema em questão. É apenas um esforço persuasivo para colocar uma opinião que pode causar um embate, produtivo apenas no nível psicológico. Ou seja, o resultado seria fazer o outro mudar de opinião: “a” fez “b” acreditar em “a”. Que vitória mais medíocre. No plano do real não muda nada.

Por isso, opinião não é algo tão simples, pode envolver imposição, invasão… é sábio ponderar quando mostrar ou ocultar uma opinião. Isso não é sempre um processo tão claro também, nem fácil de acertar. Mas é no processo de tentativa e erro que construímos nossas relações com as outras pessoas…

Admito que já cheguei a ficar muito irritada quando uma opinião me incomodou e não me expressei quanto a isso. Procurei pensar que a não-expressão teve seus motivos para superar a irritação. Mas será que ela não surgiu porque eu também gostaria de impor uma opinião “a” à pessoa “b”? E tenho medo de não arranjar argumentos suficientes, ou “perder” a discussão, e por isso acabo ficando quieta.

Enfim, nesse dilema, escrever ajuda (ah, por isso que eu tenho um blog?). Mas já tentei expor opiniões no Face e sempre acabo passando nervoso. Desisti. Tenho um lado combativo que gosta de expor opiniões, mas um outro pacífico que não gosta de brigas, e isso é um conflito difícil ;_;.

Já cheguei a pensar que discutir não era pra mim. Já achei minha opinião correta e iluminadora, mas eu ia deixar a humanidade sem sabê-la, e azar o dela. A tradição do ioga tem uma linha contemplativa, que defende que o mundo continua o mesmo apesar de nós, e não por nossa causa. Logo, qualquer esforço implicado na mudança é inútil, pois ela deve ocorrer de forma natural. Então o povo que se vire.

Aí no meu blog eu sou dona do meu texto, e crio um monólogo, e assim sou feliz.

Porém, li um artigo na Galileu que me fez muito refletir sobre a arte do debate. E até aliviou minhas questões não resolvidas sobre isso. Quando algo nos incomoda, talvez mudar nossa própria percepção sobre o problema seja uma boa solução, ou encará-lo de forma diferente.

Virou meu artigo de cabeceira, encontra-se aqui

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