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Quantidade é qualidade?

Esses dias participei de uma conversa em que o assunto caiu em: “Tinder”.

Já ouvi pontos de vista negativos e positivos a respeito – inclusive, também já oscilei entre eles, abrindo uma conta no Tinder e depois de um tempo cancelando, abrindo e cancelando, algumas vezes  libriana indecisa mesmo.  No momento, tenho um ponto de vista positivo a respeito – para quem consegue fazer bom uso do aplicativo, encontra alguém legal e o relacionamento até dá certo – por quê não? Porém, meu ponto de vista é negativo sobre sua funcionalidade para a minha pessoa – ou seja: para mim não rola. porque agora só jogo Pokémon Go

É até divertido analisar os perfis dos participantes no Tinder – mais ainda é ver a tentativa das pessoas se definirem, em poucas linhas, ou em discursos inteiros – ver as fotos, torcer pra “dar match” e até uma conversa surgir. E quando dá o tal match então, é até motivo de comemoração.

Isso já aconteceu comigo, com a conversa até passando pra Whatsapp. Mas de repente, eu desencano. Perco a vontade de prolongar o assunto. Me dá a sensação de que estou forçando uma situação, como se para qualquer pessoa atraente que aparecesse eu começasse a conversar, do nada. Claro que isso pode acontecer, em qualquer lugar – e sempre há riscos e benefícios. Mas o encontro de verdade é diferente. Ele acontece naturalmente, de forma espontânea. Essa característica, pra mim, faz o relacionamento ter mais graça. Quando não acontece e é tudo virtualmente planejado parece que tira uma parte fundamental da coisa.

Meus amigos anti-tinder me diziam esses argumentos, mas na minha época pró-tinder eu não concordava. Dizia que não havia problema em encontros serem promovidos por uma ferramenta virtual, já que a tecnologia existe e está em praticamente tudo.

Porém, me respondiam que isso é uma “alienação da realidade”: a tecnologia causa a fuga de situações reais, em que podemos nos desenvolver de verdade. As pessoas aparecem no aplicativo como se estivessem em um cardápio, e descritas por elas mesmas como se precisassem “vender o seu peixe” – não seria algo como transformá-las em mercadoria, objetos de consumo?

Aí eu respondia que não tinha nada a ver e pronto  mesmo presencialmente sempre fazemos escolhas e, por que não, baseadas na aparência –  “simpatizei mais com essa pessoa”, “achei essa mais bonita”, etc., essas intuições que a gente não sabe muito bem de onde vem.

Me disseram também que presencialmente temos mais fatores envolvidos, como o jeito, a voz, o comportamento.

E eu respondia que justamente para isso uma conversa estava sendo promovida virtualmente para um futuro encontro – ou seja, o Tinder não era algo só virtual, mas uma primeira etapa.

E o argumento final era que muita coisa “dava certo” pelo Tinder.

Mas, no final das contas, acho que algo que “dá certo”, envolve mais do que “dar match”. Não acuso o Tinder: é sempre bom conhecer pessoas – mas é perigoso? Bom, toda a situação envolve um risco, seja presencialmente ou não, e temos sempre que estar atentos e ponderar. Mas não tem jeito, eu ainda prezo pela química e pelo inesperado. E na nossa geração da velocidade e do consumo, podemos acabar pulando etapas importantes do processo de conhecer e se envolver com o outro, caindo no risco de transformar os relacionamentos em número e de ter tudo muito rápido.

E assim (finalmente!) vem a questão: quantidade é qualidade (?), que foi justamente colocada por uma pessoa que usa o Tinder e já teve vários encontros por meio dele.

Quantidade é qualidade, ou seja, o negócio é sair com vários caras (no ponto de vista heterossexual feminino) para no final ter experiência, e saber o que se espera de qualidade. Será mesmo? Há tanto casos que já “deram certo” pelo Tinder, mas também sem o Tinder; outros que aconteceram de primeira, ou de segunda, ou de terceira, que seja, sem a pessoa precisar passar por uma lista de crushes. E às vezes, passamos por uma lista, e de nada adianta para encontrar “aquela pessoa”, ou para melhorar nosso senso de qualidade. Há relacionamentos que ainda acontecem do inesperado. Destino? – foi também colocado na conversa, o que provocou uma careta na minha amiga que usa o Tinder.

 

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