Compromisso verdadeiro

Nosso compromisso mais importante é conosco mesmos, em primeiro lugar. Pode parecer egoísta, e é claro que temos que nos importar com os outros e ter consciência da alteridade, para que seja possível viver em sociedade. Mas quando não nos respeitamos, nem nos tratamos como prioridade, perdemos a consciência da importância do respeito ao próximo. Ou trata-se todo mundo mal porque se perde a noção de como é bom e importante ser bem tratado. Ou trata-se os outros muito bem, mas sente-se constantemente invadido nos seus limites, ou nunca tendo o amor que merece, porque deposita-se nos outros uma responsabilidade que é de nós mesmos. Ou seja, é preciso nos tratar bem primeiro para realmente tratar bem os outros. Isso não é tanta novidade, mas tenho pensado sobre isso, e faz sentido…

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Vida de casal alheia

Segue mais uma da série: “não estou bisbilhotando a vida alheia, é ela que vem até mim.”

Ontem, o moço do casal no banco da minha frente do ônibus queria ser síndico; a moça ficou brava, daí de algum jeito apareceu na conversa a mãe dele fazendo o inferno na vida deles e a moça deu o maior gelo, até o final presenciado por mim. Sem que eles percebessem ou façam a menor ideia disso.

Hoje, no elevador do trabalho, a moça explicando pelo celular a importância do mor arranjar alguma aliança tamanho 21 para experimentar antes que ela comprasse, para não errar o número e ter que trocar depois, e pra ele ir lá pedir emprestado pra algum amigo dele. E falou (algumas repetidas vezes) que estava falando sério, e era pra AGORA. E saiu convencendo o mor até o que ouvi.

Não peguei o desfecho das discussões; para uma delas, pode ter sido: “vá logo morar com a sua mãe, essa sogra chata sem noção”; ou, “deixe-me ser síndico e feliz”, “isso sempre foi meu sonho, mas nunca ganhei nem pra representante de classe, e o próximo passo será vereador”. Já imagino na terapia de casal, o moço: “ela não me deixava seguir meus sonhos” e a moça: “ele sempre teve uma vontade de controle disfarçada”. E um possível desfecho para a segunda situação: “vou é pegar a aliança e enfiar…. quero dizer, empenhar e pegar o dinheiro!”.

Não sei o que significa ter ouvido duas DRs alheias seguidas assim, talvez o universo e suas forças cósmicas queiram me mostrar que a vida de casal pode ser muito divertida e emocionante. #masnemtanto

Sorte no jogo, azar no amor – só que ao contrário, de trás pra frente ou de ponta-a-cabeça

Estava pesquisando a origem da expressão: “sorte no jogo, azar no amor”. E a internet que tem de tudo não tem muita coisa sobre isso – existem mais reflexões sobre o significado da frase do que sua origem – de que contexto surgiu.

O que encontrei de mais interessante a respeito (neste texto) foi que “sorte” vem do latim sors. Seu significado era simplesmente o que cabia a cada um – algo mais parecido com “destino inesperado”, sem estar implícito algo positivo ou negativo. Desta forma, poderia existir a “boa sorte” e a “má sorte”.

“Azar” vem do árabe sahr, “flor”, que era um símbolo no jogo de dados – não sei se algo negativo, ou ligado ao inesperado, como quando jogamos um dado. Em espanhol o significado de azar seria o “acaso” – até parecido com a conotação árabe de “sorte”.

Assim, a frase mostra uma oposição, mas na verdade, esses dois opostos – amor e jogo – podem ser parecidos no que indicam situações inesperadas e fora do controle?

Se “o jogo” da frase no qual se tem “sorte” representar o material, pode remeter não apenas às “cartas e aos dados”, mas também a trabalho, por exemplo, meios diversos pelos quais conseguimos riqueza material. Nesse campo podem contar também: esforço, estudo, visão empreendedora, trabalhar com o que se acredita, seguir um propósito. Ou seja, até dá pra inverter o jogo com nossas próprias habilidades.

E tudo isso é menos cabuloso do que ter algum controle sobre o “amor”. Coisinha difícil sem sentido.

Já tive aqueles sintomas que dizem aparecer quando gostamos de alguém. Sobre isso,  já ouvi o seguinte:

– Se joga, batalha, vai atrás.

Mas isso adianta muito se não houver também algum sinal de interesse que parta da outra pessoa?

Também já passei por situações em que não correspondi ao sentimento de outros. Sobre isso, também já ouvi:

– Poxa, dá uma chance, se você não tentar, não vai saber. O amor é construção, de repente, o que você sente pode mudar.

Há um argumento fatal para esse negócio de “amor é construção”: se fosse, casamentos arranjados dariam certo.

Enfim, conclusão? Se der “azar no jogo e azar no amor” – no jogo a gente ainda pode conseguir mudar o quadro, agora, no amor? Mistério.

Porém, se há azar nos dois, também pode haver sorte nos dois. Ou o oposto – azar no jogo e sorte no amor. Ou sorte no jogo – tá bom já sabemos o resto.

Só que inverter as possibilidades da frase original tira um sentido fundamental: acho que ela quer dizer, principalmente, que “você nunca pode ter tudo” – o equilíbrio das coisas. Alguém é bom nisso, o outro naquilo. O que resta então é nos confortarmos com o que é possível e nunca perfeito.

Eliminar do nosso entendimento a justiça do “um pra um” pode passar a ideia de uma realidade caótica e aleatória, sem um equilíbrio.

Para quem não tem sorte nos dois – jogo e amor – é melhor pensar que todo mundo tem só um e acabou. Ou que pelo menos ter um deles é possível.

Ou, para os ambiciosos, seja melhor pensar que todas as combinações são possíveis para se conseguir tudo….

Ou, para os equilibrados, pensar que todos nós podemos passar por todas as combinações.


Encontrei a seguinte reportagem – nem todo mundo ficou satisfeito com sua utilidade. Devo admitir que, de primeira, realmente parece um “nó filosófico” – o raciocínio dá tantas voltas que até parece piada. Porém pode até ser reconfortante: quem se sente azarado tem sorte, mas no azar. São sortudos para as coisas darem errado 😀 (isso era pra animar?).

Heim? Notícia aqui.

Quantidade é qualidade?

Esses dias participei de uma conversa em que o assunto caiu em: “Tinder”.

Já ouvi pontos de vista negativos e positivos a respeito – inclusive, também já oscilei entre eles, abrindo uma conta no Tinder e depois de um tempo cancelando, abrindo e cancelando, algumas vezes  libriana indecisa mesmo.  No momento, tenho um ponto de vista positivo a respeito – para quem consegue fazer bom uso do aplicativo, encontra alguém legal e o relacionamento até dá certo – por quê não? Porém, meu ponto de vista é negativo sobre sua funcionalidade para a minha pessoa – ou seja: para mim não rola. porque agora só jogo Pokémon Go

É até divertido analisar os perfis dos participantes no Tinder – mais ainda é ver a tentativa das pessoas se definirem, em poucas linhas, ou em discursos inteiros – ver as fotos, torcer pra “dar match” e até uma conversa surgir. E quando dá o tal match então, é até motivo de comemoração.

Isso já aconteceu comigo, com a conversa até passando pra Whatsapp. Mas de repente, eu desencano. Perco a vontade de prolongar o assunto. Me dá a sensação de que estou forçando uma situação, como se para qualquer pessoa atraente que aparecesse eu começasse a conversar, do nada. Claro que isso pode acontecer, em qualquer lugar – e sempre há riscos e benefícios. Mas o encontro de verdade é diferente. Ele acontece naturalmente, de forma espontânea. Essa característica, pra mim, faz o relacionamento ter mais graça. Quando não acontece e é tudo virtualmente planejado parece que tira uma parte fundamental da coisa.

Meus amigos anti-tinder me diziam esses argumentos, mas na minha época pró-tinder eu não concordava. Dizia que não havia problema em encontros serem promovidos por uma ferramenta virtual, já que a tecnologia existe e está em praticamente tudo.

Porém, me respondiam que isso é uma “alienação da realidade”: a tecnologia causa a fuga de situações reais, em que podemos nos desenvolver de verdade. As pessoas aparecem no aplicativo como se estivessem em um cardápio, e descritas por elas mesmas como se precisassem “vender o seu peixe” – não seria algo como transformá-las em mercadoria, objetos de consumo?

Aí eu respondia que não tinha nada a ver e pronto  mesmo presencialmente sempre fazemos escolhas e, por que não, baseadas na aparência –  “simpatizei mais com essa pessoa”, “achei essa mais bonita”, etc., essas intuições que a gente não sabe muito bem de onde vem.

Me disseram também que presencialmente temos mais fatores envolvidos, como o jeito, a voz, o comportamento.

E eu respondia que justamente para isso uma conversa estava sendo promovida virtualmente para um futuro encontro – ou seja, o Tinder não era algo só virtual, mas uma primeira etapa.

E o argumento final era que muita coisa “dava certo” pelo Tinder.

Mas, no final das contas, acho que algo que “dá certo”, envolve mais do que “dar match”. Não acuso o Tinder: é sempre bom conhecer pessoas – mas é perigoso? Bom, toda a situação envolve um risco, seja presencialmente ou não, e temos sempre que estar atentos e ponderar. Mas não tem jeito, eu ainda prezo pela química e pelo inesperado. E na nossa geração da velocidade e do consumo, podemos acabar pulando etapas importantes do processo de conhecer e se envolver com o outro, caindo no risco de transformar os relacionamentos em número e de ter tudo muito rápido.

E assim (finalmente!) vem a questão: quantidade é qualidade (?), que foi justamente colocada por uma pessoa que usa o Tinder e já teve vários encontros por meio dele.

Quantidade é qualidade, ou seja, o negócio é sair com vários caras (no ponto de vista heterossexual feminino) para no final ter experiência, e saber o que se espera de qualidade. Será mesmo? Há tanto casos que já “deram certo” pelo Tinder, mas também sem o Tinder; outros que aconteceram de primeira, ou de segunda, ou de terceira, que seja, sem a pessoa precisar passar por uma lista de crushes. E às vezes, passamos por uma lista, e de nada adianta para encontrar “aquela pessoa”, ou para melhorar nosso senso de qualidade. Há relacionamentos que ainda acontecem do inesperado. Destino? – foi também colocado na conversa, o que provocou uma careta na minha amiga que usa o Tinder.

 

“Ser para casar” e “sexo no primeiro encontro” – tudo a ver ou nada a ver?

Esses dias vi no Facebook o compartilhamento de um artigo, que saiu no site “Papo de Homem”, sobre o preconceito que ainda existe na sociedade para mulheres que topariam sexo no 1º encontro. O texto tentou desmistificar esse preconceito para o público leitor masculinho.

A pessoa que conheço compartilhou o texto no Facebook mais por indignação sobre esse tipo de preconceito ainda existir, considerando o direito de todos à sexualidade como algo que já devia ser óbvio.

O artigo é interessante por combater um preconceito de gênero. Mas acho que acabou saindo de um preconceito e caindo em outro. O autor valoriza as mulheres que topariam esse tipo de experiência como “aventureiras” ou “autênticas”, combativas ao que a sociedade espera delas, dizendo que estas sim, seriam “pra casar”. Tá bom que “ser pra casar” não é muito elogio pra ninguém, mas nisso, julgamentos acabaram ficando implícitos sobre as mulheres que não querem transar de primeira, como se estas fossem as “recatadas”, ou “não aventureiras”.

Enquanto há pessoas que conseguem separar “sexo” de “sentimento”, ou seja, buscar uma relação apenas para suprir desejos carnais momentâneos, não acho que seja “errado” ainda existirem também outras pessoas que considerem o sexo algo íntimo e importante demais para ser compartilhado com qualquer pessoa, ou de 1ª.

Autenticidade, ou outra imposição disfarçada? – ser “aventureiro” ou “descolado”. A igualdade de respeito entre gêneros é uma coisa, mas a questão de como o sexo está sendo tratado é outra. Ter sexo quando se quer, se assemelha para mim como uma pizza delivery, ou um disque necessidade, representações de nossa sociedade consumista e das emoções breves. Positivo, sim, negativo: nada mais perdura, ou é conquistado, batalhado, cultivado, mantido. As relações estão sendo atropeladas pelo desejo breve.

Não quero parecer uma religiosa conservadora falando. Na verdade, acredito que nada pode ser uma regra, pois cada situação é inédita. Por exemplo, sexo no 1º encontro deve depender de muitos fatores, não só “quebrar preconceitos” ou “ser aventureiro”, mas do desejo que se sentiu por aquela pessoa, do risco a se correr, do interesse pelo outro, do significado que aquilo terá depois (se terá algum)…. ou seja: é preciso estar ligado consigo mesmo em cada situação, independente de uma regra ou imposição pré-estabelecida, e fazer aquilo que se almeja para si próprio! E isso vale para homens e mulheres, igualmente. Sem esquecer que há um “outro” envolvido, com toda sua individualidade também…

Não são todas as pessoas que são desencanadas e acham que sexo é fácil e consegue-se rápido, alguns ainda são tímidos, ou mais envergonhados, ou mais fechados, mais caseiros, mais sonhadores, sei lá! Assim: a mulher não é “puta” se ela quer sexo no 1º encontro, e ponto final. Mas não é por isso que todo mundo precisa sair transando por aí. Por isso acho que são dois assuntos diferentes, apesar de se misturarem.

Portanto… A moral da história não deveria ser que cada um deve agir do jeito que mais se sinta confortável, sem precisar se sentir envergonhado, ou julgado por isso?

Artigo:

http://papodehomem.com.br/mulher-que-da-na-primeira-noite-essa-e-pra-casar/

Discutir ou não discutir, eis a questão

Muitas vezes as pessoas dizem coisas que eu discordo. Mas não é sempre que eu retruco, expondo meu ponto de vista contrário. Às vezes por educação, às vezes pra manter a amizade, às vezes para não ser indelicada. Às vezes porque eu acho discussão uma perda de tempo. Ou talvez eu nem saiba o porquê disso.

Pra algumas pessoas expressar a opinião é algo muito natural. Tanto, que podem até soar desrespeitosas às vezes. Mas mesmo essas pessoas conseguem ter uma socialização saudável, quero dizer, ter amigos. Já me perguntei se elas seriam mais felizes, pois mesmo sempre expressando a opinião há pessoas que as aceitam. Já me senti “guardando” opiniões, sem saber se valeria mais a pena extravasá-las logo, mesmo se houvesse consequências negativas, como perder uma amizade. Pelo menos, meus amigos saberiam minha opinião de fato e gostariam de mim por ela. (Por ela ou apesar dela?)

Para encarar esse meu jeito sem crises, procuro pensar que todos temos nosso modo próprio de ser, reagir, e encarar as coisas. O ocultamento de opinião pode não ser um defeito, mas uma preferência. E sei que não é sempre que minha opinião é oculta – para muitas coisas a mostro, para outras não, e isso depende. Às vezes acredito em coisas que podem ser polêmicas, que talvez não fossem tão fáceis de explicar em uma discussão. E muito menos resolver.

Por isso às vezes acho que discutir é inútil, não resolve o problema em questão. É apenas um esforço persuasivo para colocar uma opinião que pode causar um embate, produtivo apenas no nível psicológico. Ou seja, o resultado seria fazer o outro mudar de opinião: “a” fez “b” acreditar em “a”. Que vitória mais medíocre. No plano do real não muda nada.

Por isso, opinião não é algo tão simples, pode envolver imposição, invasão… é sábio ponderar quando mostrar ou ocultar uma opinião. Isso não é sempre um processo tão claro também, nem fácil de acertar. Mas é no processo de tentativa e erro que construímos nossas relações com as outras pessoas…

Admito que já cheguei a ficar muito irritada quando uma opinião me incomodou e não me expressei quanto a isso. Procurei pensar que a não-expressão teve seus motivos para superar a irritação. Mas será que ela não surgiu porque eu também gostaria de impor uma opinião “a” à pessoa “b”? E tenho medo de não arranjar argumentos suficientes, ou “perder” a discussão, e por isso acabo ficando quieta.

Enfim, nesse dilema, escrever ajuda (ah, por isso que eu tenho um blog?). Mas já tentei expor opiniões no Face e sempre acabo passando nervoso. Desisti. Tenho um lado combativo que gosta de expor opiniões, mas um outro pacífico que não gosta de brigas, e isso é um conflito difícil ;_;.

Já cheguei a pensar que discutir não era pra mim. Já achei minha opinião correta e iluminadora, mas eu ia deixar a humanidade sem sabê-la, e azar o dela. A tradição do ioga tem uma linha contemplativa, que defende que o mundo continua o mesmo apesar de nós, e não por nossa causa. Logo, qualquer esforço implicado na mudança é inútil, pois ela deve ocorrer de forma natural. Então o povo que se vire.

Aí no meu blog eu sou dona do meu texto, e crio um monólogo, e assim sou feliz.

Porém, li um artigo na Galileu que me fez muito refletir sobre a arte do debate. E até aliviou minhas questões não resolvidas sobre isso. Quando algo nos incomoda, talvez mudar nossa própria percepção sobre o problema seja uma boa solução, ou encará-lo de forma diferente.

Virou meu artigo de cabeceira, encontra-se aqui

A escolha profissional, a universidade, o mercado e o Brasil: alternativa ‘a’ ou ‘b’.

Lembro há alguns anos atrás quando eu virava as páginas do Manual do Candidato para prestar o vestibular e me deparei com a definição do curso de Letras. E assim, fiz minha escolha, não muito segura, não muito certa, nem motivada. Mas sentia que precisava escolher alguma coisa.

Esses tantos ingressantes como eu podem ter tido as mais diversas motivações: a indecisão, a pressão, a verdadeira vocação e vontade, e alguns outros, “dar aula jamais” (fazer só o bacharelado e não a licenciatura, parte que habilita a lecionar). O ensino não é a opção de muitos que escolhem Letras, apesar do senso comum imaginar que esse seja o único caminho.

A universidade questiona o senso comum porque é um conhecimento pronto e fácil que nem sempre explica a realidade dos fatos.

Mas nesse momento parece-me que o senso comum não é um adversário tão fácil assim de combater quanto parecia. Na hora de arrumar um emprego, Letras = dar aula. E então, no momento encontro-me cursando a licenciatura, apesar de nunca ter sonhado em ser professora.

Não tenho uma visão preconceituosa e estereotipada dessa profissão, do tipo: “que horror, você quer ser professor?” – eu já ouvi isso. É algo muito digno, uma missão, que interfere no mundo e na realidade! Porém, é fato que não é reconhecida como deveria no Brasil. Mas onde há problemas é preciso buscar a solução e não conformar-se, não? Por isso, porque não ser professor?

Apesar da motivação revolucionária que a luta pela educação inspira, ainda não consigo dizer que é minha escolha.

A universidade não considera crenças pessoais como explicação para nada, porque o subjetivo não é científico.

Mas ainda acredito no “dom” da vocação, que ninguém ensina. E não sinto ter exatamente o dom para a educação. Sempre quis ser das artes visuais, e não fui.

Se eu tivesse que aconselhar alguém em fase de escolha da profissão, diria: escolha o que você quiser, e pronto. Não fui para as artes por ouvir que era uma área difícil. Optei por Letras por pensar que poderia encontrar um campo mais amplo, principalmente com revisão e tradução. E está tão difícil arranjar trabalho nisso quanto talvez fosse em artes visuais.

Eu não aguento mais mandar currículo para todo canto – já escrevi o que já fiz, o que sei fazer, o que posso fazer, e o que poderia fazer, inúmeras vezes. E nada.

A universidade se baseia nos fatos e as crenças subjetivas não explicam ciência nenhuma.

Mas ainda tenho mais uma sobre isso: acho que quanto mais repetimos alguma afirmação negativa, mais ela é reforçada e pode acontecer. Então pensei em parar de dizer que está difícil encontrar trabalho. E cá estou eu aqui escrevendo sobre isso.

Resta-me continuar em vários grupos de anúncio de vagas no Facebook, vasculhando a internet e mandando currículos.

Até que em um desses grupos do Facebook apareceu a questão: “o problema sou eu ou está difícil encontrar emprego?”, e teve umas 400 curtidas e vários comentários reclamando sobre isso.

Nos momentos “muro das lamentações” inúmeras injustiças aparecem, que podem (ou não) ter sua parcela de verdade. Eu reclamo do tanto de experiência requisitada nas vagas ultimamente. E mesmo em vagas que até acho ter alguma chance não recebo nem ligação por engano. Os concorrentes estão tão experientes e com perfis tão estonteantes? Sinceramente não me lembro de ter convivido com pessoas tão maravilhosas assim não e até meio folgadas (julgando os coleguinhas).

Também acabo culpando o preconceito à minha área, que Letras está sucateado, ninguém dá valor, e todo mundo só liga pra Engenharia. Até que encontrei um engenheiro que também disse que está difícil arranjar emprego.

Então, pode ser que esteja difícil mesmo.

Porém, aprendi nessas aulas da Licenciatura, que estamos vivendo um momento de “bônus demográfico”, ou seja, maior parte da população em idade ativa e pronta para oferecer sua força de trabalho.

Assinale a alternativa que você considera provável sobre o que vai acontecer frente a esse cenário demográfico brasileiro:

a) Momento em que muitos jovens em idade de ingressar no mercado geram força de trabalho, sendo um prato cheio para o desenvolvimento econômico do Brasil. Esses jovens inserem-se em atividades que não só estimulam o crescimento econômico do país, mas também o social, como políticas públicas, serviços e 3º setor, trazendo enriquecimento e melhorias gerais.

b) Bem nesse momento entramos em crise. Crise financeira por má administração pública, déficit comercial, PIB negativo, corrupção. Alta do dólar, recessão do mercado. E todos esses jovens que poderiam estar gerando crescimento estão aglomerados sem encontrar lugar no mercado de trabalho.