Sorte no jogo, azar no amor – só que ao contrário?

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Estava pesquisando a origem da expressão: “sorte no jogo, azar no amor”. E a internet que tem de tudo não tem muita coisa sobre isso – existem mais reflexões sobre o significado da frase do que sua origem, ou de que contexto surgiu.

O que encontrei de mais interessante a respeito (neste texto) foi que “sorte” vem do latim sors. Seu significado era simplesmente o que cabia a cada um – algo mais parecido com “destino inesperado”, sem estar implícito algo positivo ou negativo. Desta forma, poderia existir a “boa sorte” e a “má sorte”.

“Azar” vem do árabe sahr, “flor”, que era um símbolo no jogo de dados – não sei se algo negativo, ou ligado ao inesperado, como quando jogamos um dado. Em espanhol o significado de azar seria o “acaso” – até parecido com a conotação árabe de “sorte”.

Assim, a frase mostra uma oposição, mas na verdade, esses dois opostos – amor e jogo – podem ser parecidos no que indicam situações inesperadas e fora do controle?

Sorte no jogo, azar no amor: se “o jogo” da frase no qual se tem “sorte” representar o material, pode remeter não apenas às “cartas e aos dados”, mas também a trabalho, por exemplo, meios diversos pelos quais conseguimos riqueza material. Nesse campo podem contar também: esforço, estudo, visão empreendedora, trabalhar com o que se acredita, seguir um propósito. Ou seja, até dá pra inverter o jogo com nossas próprias habilidades.

E tudo isso é menos cabuloso do que ter algum controle sobre o “amor”…

Já tive aqueles sintomas que dizem aparecer quando gostamos de alguém. Sobre isso,  já ouvi o seguinte:

– Se joga, batalha, vai atrás.

Mas isso adianta muito se não houver também algum sinal de interesse que parta da outra pessoa?

Também já passei por situações em que não correspondi ao sentimento de outros. Sobre isso, também já ouvi:

– Poxa, dá uma chance, se você não tentar, não vai saber. O amor é construção, de repente, o que você sente pode mudar.

Há um argumento fatal para esse negócio de “amor é construção”: se fosse, casamentos arranjados dariam certo.

Enfim, conclusão? Se der “azar no jogo e azar no amor” – no jogo a gente ainda pode conseguir mudar o quadro, agora, no amor? Mistério.

Porém, se há azar nos dois, também pode haver sorte nos dois? Ou o oposto – azar no jogo e sorte no amor? Ou sorte no jogo – tá bom já sabemos o resto.

Só que inverter as possibilidades da frase original tira um sentido fundamental: acho que ela quer dizer, principalmente, que “você nunca pode ter tudo” – o equilíbrio das coisas. Alguém é bom nisso, o outro naquilo. O que resta então é nos confortarmos com o que é possível e nunca perfeito.

Eliminar do nosso entendimento a justiça do “um pra um” pode passar a ideia de uma realidade caótica e aleatória, sem um equilíbrio. É melhor pensar que todo mundo tem só um e acabou. Ou que pelo menos ter um deles é possível.

Ou, para os ambiciosos, seja melhor pensar que todas as combinações são possíveis para se conseguir tudo….

Ou, para os equilibrados, pensar que todos nós podemos passar por todas as combinações.

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Quantidade é qualidade?

Esses dias participei de uma conversa em que o assunto caiu em: “Tinder”.

Já ouvi pontos de vista negativos e positivos a respeito de aplicativos de relacionamento/ encontro – inclusive, também já oscilei entre eles, abrindo uma conta e depois de um tempo cancelando, abrindo e cancelando, algumas vezes  libriana indecisa.  No momento, tenho um ponto de vista positivo a respeito – para quem consegue fazer bom uso do aplicativo, encontra alguém legal e o relacionamento até dá certo. Porém, meu ponto de vista é negativo sobre sua funcionalidade para a minha pessoa – ou seja: para mim não rola. porque agora só jogo Pokémon Go

Analisar os perfis dos participantes no Tinder pode até ser divertido: ver a tentativa das pessoas se definirem em poucas linhas, ou em discursos extensos, torcer pra “dar match” e até uma conversa surgir. E quando dá match então, é até motivo de comemoração. Quase igual fazer ponto em um jogo. ou capturar um pokémon

Mesmo isso já tendo acontecido comigo, sempre acabei perdendo a vontade de prolongar o assunto e nenhum match deu muito resultado, ou virou algum encontro real. Tenho a sensação de que estou forçando uma situação, como se para qualquer pessoa atraente que aparecesse eu começasse a conversar, do nada. Claro que isso pode acontecer em qualquer lugar. Mas o encontro de verdade é diferente. Ele acontece naturalmente, de forma espontânea. Essa característica, na minha opinião, faz o relacionamento ter mais graça. Quando não acontece e é tudo virtualmente planejado parece que se tira uma parte fundamental do processo.

Há os lados positivos e negativos do uso de aplicativos de encontro, há os defensores de um posicionamento ou de outro, e há as pessoas que oscilam entre os dois, como eu. quando as amiga tá tudo acompanhada a gente começa a reconsiderar

PORÉM, as pessoas tudo usam esses aplicativos, namoram e até casam! Então dá certo, e ponto.

Mas talvez “dar certo” envolva mais do que “dar match”. Não tem jeito, eu ainda prezo pela química e pelo inesperado. E na nossa geração da velocidade e do consumo, podemos acabar pulando etapas importantes do processo de conhecer e se envolver com o outro, caindo no risco de transformar os relacionamentos em número e de ter tudo muito rápido.

E assim (finalmente!) vem a questão: quantidade é qualidade (?), que foi justamente colocada por uma pessoa que usa o Tinder e já teve vários encontros por meio dele. No ponto de vista dessa pessoa, quantidade é sim qualidade, ou seja: sair com várias pessoas – quantidade – para no final ter experiência, e saber o que se espera de qualidade.

De fato, há casos que já “deram certo” por aplicativos. Mas também sem eles… outros que aconteceram de primeira, ou de segunda, ou de terceira, que seja, sem a pessoa precisar passar por uma lista de crushes. E às vezes, passa-se por uma lista, e de nada adianta para encontrar “aquela pessoa”, ou para melhorar o senso de qualidade. Há relacionamentos que ainda acontecem do inesperado. Destino? – foi também colocado na conversa, o que provocou uma careta na pessoa da roda de conversa que usava o Tinder.

“Ser para casar” e “sexo no primeiro encontro” – tudo a ver ou nada a ver?

Esses dias vi no Facebook o compartilhamento de um artigo, que saiu no site “Papo de Homem”, sobre o preconceito que ainda existe na sociedade para mulheres que topariam sexo no 1º encontro. O texto tentou desmistificar esse preconceito para o público leitor masculinho.

A pessoa que conheço compartilhou o texto no Facebook mais por indignação sobre esse tipo de preconceito ainda existir, considerando o direito de todos à sexualidade como algo que já devia ser óbvio.

O artigo é interessante por combater um preconceito de gênero. Mas acho que acabou saindo de um preconceito e caindo em outro. O autor valoriza as mulheres que topariam esse tipo de experiência como “aventureiras” ou “autênticas”, combativas ao que a sociedade espera delas, dizendo que estas sim, seriam “pra casar”. Tá bom que “ser pra casar” não é muito elogio pra ninguém, mas nisso, julgamentos acabaram ficando implícitos sobre as mulheres que não querem transar de primeira, como se estas fossem as “recatadas”, ou “não aventureiras”.

Enquanto há pessoas que conseguem separar “sexo” de “sentimento”, ou seja, buscar uma relação apenas para suprir desejos carnais momentâneos, não acho que seja “errado” ainda existirem também outras pessoas que considerem o sexo algo íntimo e importante demais para ser compartilhado com qualquer pessoa, ou de 1ª.

Autenticidade, ou outra imposição disfarçada? – ser “aventureiro” ou “descolado”. A igualdade de respeito entre gêneros é uma coisa, mas a questão de como o sexo está sendo tratado é outra. Ter sexo quando se quer, se assemelha para mim como uma pizza delivery, ou um disque necessidade, representações de nossa sociedade consumista e das emoções breves. Positivo, sim, negativo: nada mais perdura, ou é conquistado, batalhado, cultivado, mantido. As relações estão sendo atropeladas pelo desejo breve.

Não quero parecer uma religiosa conservadora falando. Na verdade, acredito que nada pode ser uma regra, pois cada situação é inédita. Por exemplo, sexo no 1º encontro deve depender de muitos fatores, não só “quebrar preconceitos” ou “ser aventureiro”, mas do desejo que se sentiu por aquela pessoa, do risco a se correr, do interesse pelo outro, do significado que aquilo terá depois (se terá algum)…. ou seja: é preciso estar ligado consigo mesmo em cada situação, independente de uma regra ou imposição pré-estabelecida, e fazer aquilo que se almeja para si próprio! E isso vale para homens e mulheres, igualmente. Sem esquecer que há um “outro” envolvido, com toda sua individualidade também…

Não são todas as pessoas que são desencanadas e acham que sexo é fácil e consegue-se rápido, alguns ainda são tímidos, ou mais envergonhados, ou mais fechados, mais caseiros, mais sonhadores, sei lá! Assim: a mulher não é “puta” se ela quer sexo no 1º encontro, e ponto final. Mas não é por isso que todo mundo precisa sair transando por aí. Por isso acho que são dois assuntos diferentes, apesar de se misturarem.

Portanto… A moral da história não deveria ser que cada um deve agir do jeito que mais se sinta confortável, sem precisar se sentir envergonhado, ou julgado por isso?

Artigo:

http://papodehomem.com.br/mulher-que-da-na-primeira-noite-essa-e-pra-casar/